Quando devemos fazer a retirada de pinta

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Algumas pessoas até podem achar suas “pintinhas” um verdadeiro charme, mas em alguns casos elas podem ser sinais de problemas mais graves. Aí é importantíssimo que o médico esteja atento aos sinais e faça a retirada de pinta.

Em média todos nós apresentamos entre 40 a 60 pintas espalhadas por todo o corpo. Mas existem casos de pessoas com um número bem superior a esse, especialmente as que têm a pele mais clara. Elas se apresentam com diferentes tamanhos, formatos e cores.

Um olhar treinado, contudo, consegue distinguir aquelas que são apenas detalhes charmosos, das que merecem um cuidado maior.

São muitos os motivos que levam ao surgimento de uma pinta. Ela pode tanto nascer conosco ou então aparecer depois de vários anos devido à exposição solar, a gravidez e ao uso de anticoncepcional.

Apesar de todas essas características, é de suma importância sempre analisar corretamente as pintas e os sinais nos corpos dos seus pacientes. Você sabe quando é indicada a retirada de pinta? Continue a leitura e saiba tudo sobre o assunto!

O que é a pinta?

As pintas ou nevos melanócitos, como são conhecidas cientificamente, podem ser classificadas como pequenos tumores formados por melanócitos que não trazem nenhum malefício à saúde, de uma maneira geral.

Os melanócitos são os responsáveis pela produção da melanina – e quando essas células se concentram de maneira anormal na pele tem-se a formação da pinta. Se ela estiver em uma camada mais profunda da pele poderá se apresentar em tom mais azulado, contudo, de maneira geral, as pintas são pretas ou amarronzadas.

Como dissemos anteriormente, as pintas podem tanto aparecer na infância como na fase adulta. E, de uma maneira geral, elas não indicam malignidade, exceto em casos específicos, quando se multiplicam fora de controle e podem vir a se tornar um melanoma.

Justamente por isso, quanto mais cedo for a detecção de uma pinta com tendência a se transformar em um melanoma, mais fácil será a retirada.

Quando a pinta deixa de ser um charme e se torna um problema?

As pintas são características muito importantes para algumas pessoas. Afinal o que seria da Angélica sem a sua famosa marca na coxa? Ou de Cindy Crawford sem a marquinha sexy no canto da boca?

Mas, em alguns casos, a “pintinha” deixa de ser inofensiva e precisa de uma atenção especial. Nesse momento é essencial estar atualizado em relação às técnicas mais usadas para a avaliação dos nevos melanócitos. Veja algumas delas.

Regra do ABCDE

Uma das técnicas mais usadas na medicina para avaliar esses sinais é a regra do ABCDE:

  • A de assimetria: as pintas benignas possuem lados proporcionais;
  • B de bordas: no caso de um melanoma, as bordas são irregulares e apresentam linhas tortas;
  • C de cores: uma pinta maligna apresentará duas ou três tonalidades distintas;
  • D de diâmetro: sinais com mais de meio centímetro exigem atenção;
  • E de evolução: pintas com crescimento acelerado são mais perigosas.

Quantidade de pintas no braço

Além desse método, relativamente tradicional, existem outros que precisam ser considerados dentro do consultório.

Um estudo publicado no British Journal of Demartology, por exemplo, trouxe um dado interessante: um paciente que apresenta mais de 11 pintas no braço pode ter um risco aumentado para o desenvolvimento de melanoma.

De acordo com a publicação, o recomendado é que os médicos façam a contagem das pintas dos braços e também analisem os formatos delas, considerando apenas aquelas que são circulares e de coloração marrom escura (excluindo as sardas que são mais claras).

É claro que apresentar mais de 11 pintas não indica necessariamente que o paciente terá câncer de pele, mas sim que ele deve ser acompanhado e investigado com mais atenção, já que suas chances para desenvolver a doença são maiores que os demais.

Mudanças nas pintas

A participação do paciente também é fundamental. Caso ele mesmo tenha notado alguma alteração nas suas pintas, é preciso considerar essa informação. Aqueles sinais que, com o tempo, sofreram mudanças significativas precisam ser investigados.

Por exemplo:

  • alteração de cor (pintas que ficaram escuras ou apresentaram múltiplas cores),
  • alteração no tamanho (elevação, crescimento ou diminuição),
  • alterações ao redor da lesão (clareamento, vermelhidão ou inchaço),
  • alterações sensitivas (ardência, queimação, coceira ou sensação estranha),
  • sangramento e também
  • surgimento de novas lesões.

Características das pintas

Além de tudo isso, existem vários estudos que mostram que determinadas lesões têm mais chances de se tornarem melanomas do que outras:

  • os nevos congênitos (pintas que surgem no nascimento) têm mais chance de se desenvolverem em melanomas do que as pintas que surgem tardiamente, especialmente no caso de nevos maiores;
  • as queimaduras solares e pessoas que apresentam mais de 100 pintas no corpo também têm mais riscos de desenvolvimento do melanoma;
  • as pintas que surgem em mucosas (oral e genital) ou em áreas de traumas precisam de um acompanhamento periódico;
  • as pintas nas unhas têm um risco maior de malignizar e podem também se manifestarem como faixas escuras nas unhas.

Quando a retirada de pinta é indicada?

Se o paciente relatar algum desses sinais citados no tópico anterior ou no consultório identificar uma pinta “fora do padrão”, existem duas possibilidades, dependendo da situação: acompanhar a evolução da mancha ou realizar a retirada de pinta.

Essa decisão pode envolver a necessidade de outros exames.

Dermatoscopia

O mais usado é dermatoscopia, um exame que ajuda no diagnóstico e também na prevenção do câncer de pele. A avaliação é realizada por um dermatologista treinado e habilitado para utilizar o dermatoscópio, um instrumento que permite ampliar as lesões cutâneas.

No caso da dermatoscopia digital, o dermatoscópio é ligado à uma câmera digital e a um computador e são realizadas fotografias de todo o corpo do paciente.

Em seguida, os sinais são identificados e numerados. A partir de então, cada lesão é fotografada para o que dermatologista possa verificar o local onde ela se encontra e analisar de uma maneira ampliada a sua estrutura, avaliando melhor o risco de cada uma.

Geralmente, os pacientes indicados para a dermatoscopia são aqueles com pintas características de melanoma ou lesões sobre as quais o médico ficou em dúvida e por isso necessita de uma investigação mais precisa.

Além do câncer de pele, a dermatoscopia também é indicada quando se deseja avaliar lesões infecciosas como úlceras de leishimaniose, verrugas produzidas pelo HPV, escabiose, etc.

As vantagens de investir nesse exame são inúmeras: mais credibilidade para a indicação da retirada da pinta, auxílio no diagnóstico do melanoma cutâneo, indica para o médico se a lesão precisa ser retirada com extensa margem de segurança ou não, permite o acompanhamento de lesões benignas (evitando biópsias desnecessárias) e oferece uma documentação digital das lesões.

Além dessas questões, é importante também avaliar a localização do nevo melanócito e se o paciente está no grupo de risco para câncer de pele. As áreas do corpo que merecem atenção são as pernas, o dorso e a planta dos pés.

Já os indivíduos com mais risco de apresentarem melanomas são os de pele clara que foram muito expostos ao sol, os pacientes com sinais muito escuros (principalmente aqueles escuros, grandes e irregulares) e pessoas com casos de melanoma na família ou com história pessoal de câncer de pele.

Melanoma

Como você viu, identificar um melanoma nem sempre é fácil e entendê-lo é importante. Esse tipo de câncer se desenvolve devido a um erro no reparo do DNA da pele, sendo esse o gatilho para mutações genéticas que fazem com que as células se multipliquem de forma acelerada, originando o tumor maligno.

Esses tumores têm origem nos melanócitos na camada basal da epiderme e podem se assemelhar bastante às pintas comuns ou ainda se originarem de algumas pintas já existentes.

A maioria dos melanomas apresenta algumas características comuns como: cor marrom ou preta (mas em alguns casos podem ser rosados, avermelhados, esbranquiçados ou da cor da pele), com bordas assimétricas ou irregulares e difíceis de serem delimitadas e apresentam um tamanho maior que 6 mm.

Quais são as técnicas mais usadas na remoção do nevo melanócito?

Depois de diagnosticar que um nevo melanócito pode ser um melanoma (ou tem chances de se transformar em um) é hora de realizar a retirada de pinta. Nesses casos, existem várias possibilidades que devem ser analisadas dependendo das características da pinta e da sua localização.

Em geral, as pintas pequenas e de fácil acesso podem ser retiradas de forma ambulatorial com anestesia local. Porém, lesões mais profundas e maiores podem precisar de um ambiente hospitalar – e em alguns casos até mesmo com o uso da anestesia geral.

Para avaliar o tipo de anestesia, é importante conferir o tipo de lesão. Quanto mais grave for a pinta, maior deverá ser a margem de segurança de pele saudável removida.

No caso de carcinomas, tumores de pele menos agressivos, a recomendação é de uma margem de segurança em torno de 1 cm. Já para o melanoma, que é mais agressivo, essa margem sobe para 2 cm.

Após anestesiar a pele, o cirurgião realizará uma incisão ao redor da pinta, considerando a margem de segurança, e enviará o material coletado à biópsia.

Nas lesões pequenas, a pele conseguirá se cicatrizar sozinha, sem a necessidade de pontos – é o que chamamos de “cicatrização por segunda intenção”, que é rápido e deixa uma cicatriz relativamente estética.

No caso das incisões maiores, a sutura deverá ser retirada entre 7 a 15 dias após a cirurgia e dependendo da localização e do tamanho da pinta poderá ser necessário o uso do retalho cutâneo. Se a incisão for muito grande e a técnica não poder ser realizada, é aconselhável o uso de um enxerto de pele.

Nessas situações, a presença de um cirurgião plástico pode ser importante, especialmente nos tumores em áreas expostas, como mãos, membros e faces.

Cirurgia Micrográfica de Mohs

A cirurgia micrográfica de Mohs é indicada para lesões cutâneas mal delimitadas e maiores – e envolve a remoção do tumor e da margem de segurança com o auxílio de uma cureta. O material é analisado microscopicamente e o procedimento de curetagem é feito novamente, até que o exame microscópico não demonstre nenhuma célula cancerosa.

Em geral, essa técnica é mais aplicada em lesões em áreas sensíveis, como o rosto, para preservar maior quantidade possível de tecido saudável, evitando cicatrizes grandes ou desfigurações.

Outras técnicas

Para lesões menores e menos agressivas, existem outras técnicas de retirada de pinta que podem ser usadas, como:

  • criocirurgia: promove o congelamento da pinta pelo uso do nitrogênio líquido. A vantagem é que não se usa nenhum tipo de corte, contudo a taxa de cura é menor do que a tradicional excisão;
  • curetagem e eletrodissecação: a lesão é raspada com a cureta e o bisturi elétrico promove a destruição das células cancerígenas;
  • cirurgia a laser: pode ser feita com erbium YAG ou laser de CO2 e é uma alternativa interessante para os pacientes com problemas de coagulação, já que a técnica não provoca sangramentos.

Como você viu, a retirada de pinta é um método invasivo e que deve ser muito bem orientado para que o paciente não sofra com uma cicatriz, sem a devida necessidade. Contudo, quando houver dúvidas sobre a malignidade de uma lesão, essa excisão é sempre recomendada, assim como a biópsia do material colhido.

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