Melasma, Microagulhamento e Drug delivery: O presente e o provável futuro

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Muito discutido no último Teraderm, realizado em São Paulo no início deste mês, o Drug Delivery é uma técnica que permite a penetração de ativos na pele através de microperfurações provocadas pelo microagulhamento ou laseres.

Apesar de amplamente defendida e utilizada no exterior, no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a técnica de Drug Delivery está associada a melhoras de quadros de melasma, flacidez facial, rítdes superficiais e profundas, cicatrizes e alguns tipos de alopecias. Porém, estudos adicionais ainda se fazem necessários para comprovar essa eficácia. Também foi discutida sobre a necessidade ou não da utilização de ativos estéreis para realização do Drug Delivery.

O provável futuro:

Um estudo realizado na Coréia do Sul e publicado em agosto de 2015 na Journal of Cosmectic Dermatology abordou a utilização de um dispositivo chamado “Dissolving Microneedle Patch” (DMN) para o tratamento do melasma.

Sabe-se que a maioria dos cosmecêuticos utilizados no tratamento do melasma apresenta uma pobre penetração até a camada basal (onde se localizam os melanócitos), uma vez que o estrato córneo age como uma barreira para a penetração destes ativos. Essa penetração limitada de ativos se mostra como um dos grandes obstáculos para maximizar a eficácia dos agentes despigmentantes.

O DMN, de acordo com esse estudo, é um dos mais potentes sistemas para a realização do Drug Delivery transdérmico. Consiste em um patch adesivo, que atravessa a barreira cutânea de forma minimamente invasiva e permite a entrega de ativos despigmentantes em camadas mais profundas da pele durante a dissolução de sua matriz biodegradável.

Os pesquisadores desse estudo fabricaram patches DMN contendo solução salina e outros patches DMN com 4-n-butilresorcinol, um derivado do resorcinol amplamente utilizado em cosmecêuticos despigmentantes, para realização de um estudo clínico duplo cego com controle placebo. Ambos os patches possuíam microagulhas de 170 mµ de comprimento.

Foram realizados testes para averiguar irritação primária da pele, potencial de irritação cumulativa e sensibilização da pele e despigmentação das manchas hipercrômicas.

Dos 31 pacientes submetidos aos teste de irritação primária, avaliados 48 e 72 horas após a aplicação do patch, um paciente mostrou irritação leve após 48h e outro paciente apresentou irritação leve após 72h. No teste de irritação cumulativa, dos 50 pacientes, dois apresentaram irritação leve após a terceira aplicação do patch, um paciente apresentou irritação leve nas três aplicações do patch e um paciente apresentou irritação leve após a terceira aplicação do patch. No teste de sensibilização, nenhum paciente apresentou reações alérgicas.

Os testes de despigmentação foram realizados em aplicações com intervalos de 3 e 4 dias. Os resultados foram avaliados com 0, 4 e 8 semanas. O patch com 4-n-butilresorcinol se mostrou duas vezes mais efetivo do que o controle, o que significa que houve uma entrega eficaz do 4-n-butilresorcinol aos melanócitos,  levando à inibição da tirosinase na camada basal.

A aplicação com intervalo de três dias (figuras a, b e c) se mostrou mais eficaz do que a aplicação com intervalo de 4 dias (figuras d, e e f).

O grupo de pesquisadores pretende testar novos patches com outros despigmentantes e agentes anti-idade.

Sabemos que a comercialização destes patches DMN para fins estéticos podem levar um certo tempo, mas é muito provável que eles se tornem mais uma opção no tratamento e na manutenção de uma das queixas mais desafiadoras em nossos consultórios, o Melasma.

Por Dra. Patrícia Lycarião
Preceptora da Pós-graduação
do ISMD de Belo HorizonteCRM: 53350

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