Medicina do Trabalho e a qualidade de vida dos trabalhadores

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Medicina do trabalho, também conhecida como medicina ocupacional, é o ramo da medicina que diz respeito ao relacionamento entre o indivíduo e o seu ambiente de trabalho. Nesse aspecto, ela aparece como peça fundamental para a prevenção de acidentes e doenças relacionadas à atividade laboral.

Além disso, essa área tem impacto direto na qualidade de vida dos trabalhadores. O interesse nesse âmbito da medicina tem crescido nos últimos anos, estando entre as especialidades médicas mais procuradas pelos estudantes, e representa a preocupação crescente com outro foco objetivo da área: promover a saúde e qualidade de vida de cada funcionário.

Por que pensar em medicina do trabalho?

Para entender o papel do médico do trabalho, ou médico ocupacional, é importante entender o contexto que promoveu sua necessidade. A Revolução Industrial, a evolução do capitalismo e o avanço dos direitos humanos estimularam a promoção de condições dignas de trabalho. 

Apesar de ser um fenômeno mundial, o Brasil só começou a apresentar maior compromisso para a garantia dessas condições com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em 1943.

E em 1977, com a lei nº 6.514, que as empresas passaram a ser responsabilizadas pela segurança e cuidado de seus funcionários em seu ambiente laboral. Hoje, a relação medicina do trabalho e qualidade de vida dos trabalhadores é uma realidade e obrigação legal.

Para que serve a medicina do trabalho?

Muito além das obrigações legais

A função do médico do trabalho vai muito além do cumprimento de exigências legais. Como já foi dito, este ramo da medicina previne doenças e acidentes, além de promover a qualidade de vida dos trabalhadores.

No âmbito da empresa, é possível apontar o aumento da produtividade, a redução do número de ações trabalhistas e maiores receitas como consequências da qualidade de vida na empresa. Ao longo deste texto, trataremos como a saúde no trabalho pode ser promovida na prática e os benefícios dessas ações.

Nossa segunda casa

Além de pensar em realização e satisfação profissional, é importante lembrar que o ambiente de trabalho é a segunda casa de uma pessoa. Nele, o funcionário não apenas exerce suas funções como um robô, automático e sem sentimentos.

No trabalho, o ser humano também compartilha emoções, relaciona-se com o grupo e pode dividir seus sonhos, suas crenças e seus projetos. Ainda, o tempo gasto no local de serviço muitas vezes ultrapassa o tempo gasto em outros ambientes, como até a própria casa. 

Neste cenário, as doenças de trabalho estão atingindo não somente o campo físico, mas também o mental. O International Stress Management Association (Associação Internacional do Controle do Estresse) apontou o Brasil como o segundo país com o maior nível de estresse no  trabalho, em que a cada 10 pessoas ativas, no mínimo três são vítimas da síndrome de esgotamento mental intenso (Burnout).

Assim, pensar em garantir uma “segunda casa” confortável é fundamental para a saúde do trabalhador como um todo. 

Saúde do trabalho na prática

Existem algumas ações que podem ser promovidas pela empresa para garantir um ambiente de trabalho agradável e seguro. Entre elas, destacam-se: exames ocupacionais, programas de prevenção de acidentes e doenças, promoção de serviços de ergonomia, ambientes de descompressão, palestras e eventos, tudo aquilo que reforce a cultura organizacional como promotora da saúde e bem-estar.

Exames ocupacionais

Exames ocupacionais são aqueles que visam avaliar a saúde dos funcionários enquanto estes se relacionam com a empresa. São obrigatórios de acordo com a legislação trabalhista e regulamentados pela Portaria nº 3.214. Sua não observação pode implicar em multas para as empresas, enquanto sua realização busca assegurar o bom desempenho do empregado em seu ambiente laboral. Entre os exames ocupacionais, destacamos o exame admissional e os exames periódicos.

Enquanto o exame admissional visa garantir a contratação de funcionários aptos a executar suas funções e atestar suas condições de saúde prévias, os exames periódicos costumam fazer parte da rotina da empresa para monitorar a saúde do trabalhador e prevenir possíveis doenças. 

No contexto desses exames, o médico do trabalho aparece como figura fundamental na prestação de um atendimento de qualidade e suporte ao trabalhador. Esse profissional é responsável pela emissão de laudos referentes a afastamentos, retornos ou mudanças de função.

Prevenção de acidentes

Entre 2007 e 2017, foram registrados 1.324.752 casos de doenças ou acidentes relacionados ao trabalho. Como o próprio nome sugere, acidentes são inesperados e, portanto, a palavra chave para lidar com eles é PREVENÇÃO.

Em uma instituição, todos são responsáveis por esse processo. É papel da empresa promover a conscientização e capacitação dos trabalhadores, além de garantir a aplicação das medidas de segurança coletivas e individuais e disponibilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Aos trabalhadores, cabe o cumprimento das diretrizes e uso dos equipamentos, além da observância de se ater apenas às atividades para as quais está habilitado e evitar distrações.

No que tange aos acidentes, a medicina do trabalho garante suporte à prevenção e prestação de socorro, no caso de um acidente propriamente dito.

Prevenção de doenças

Neste ponto, o foco são doenças ocupacionais, ou seja, aquelas relacionadas ao próprio trabalho. Esse tipo de doença apresenta desgaste para o trabalhador, para a empresa e até mesmo para o governo, quando este concede benefícios por meio do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Aqui, a palavra chave também é PREVENÇÃO, estímulo ao uso de equipamentos de segurança e ações, por parte da empresa, como conscientização dos funcionários, seja por meio de palestras ou cartilhas, além do acesso facilitado a um profissional de saúde competente.  

Ergonomia laboral

A ergonomia estuda a relação entre o indivíduo e seu ambiente de trabalho. Serviços de ergonomia ajudam a promover a qualidade de vida dos trabalhadores, pois oferecem suporte adequado para a correta execução das atividades.

O foco é evitar a má postura e lesões por esforços repetitivos. Esses serviços também avaliam as condições gerais de trabalho, no que tange a ruídos e iluminação do ambiente. Na prática, o incentivo à ginástica laboral promove reeducação postural, alívio do estresse, reduz o sedentarismo e ajuda a melhorar o humor. Dessa forma, atua na prevenção de doenças.

Benefícios da medicina do trabalho 

Já foi dito que a medicina do trabalho impacta positivamente a qualidade de vida dos trabalhadores. Ela atua especialmente na prevenção e acompanhamento da saúde dos funcionários, promovendo bem-estar e saúde.

Além disso, esse ramo da medicina contribui para maior competitividade da empresa, sustentabilidade corporativa, respeito pelos colaboradores, redução de custos, melhora da imagem da empresa, retenção de talentos, aumento das receitas, o que reflete a importância de um bom clima organizacional.

Sustentabilidade corporativa

Sustentabilidade corporativa diz respeito a criação de valor da empresa em três âmbitos: o econômico, o ambiental e o social. Nosso foco é o âmbito social que abrange a relação da empresa com a sociedade, seja seus funcionários, fornecedores, consumidores, colaboradores.

Pensar em qualidade de vida dos funcionários é pensar em promover qualidade de vida e de serviços para toda essa cadeia de valor. Um funcionário satisfeito é um promotor da marca e trabalha com mais dedicação e realização, preocupando-se com o crescimento da empresa na qual está inserido. 

Aumento da competitividade

O aumento da competitividade anda junto com a sustentabilidade social. Em um mundo globalizado, com concorrência elevada a nível mundial e indivíduos extremamente conectados, o fator humano é diferencial para o crescimento de uma organização.

A empresa que garante a qualidade de sua equipe terá reflexos em sua produtividade e imagem da marca, garantindo seu maior posicionamento no mercado.

Retenção de talentos

Funcionários satisfeitos dificilmente abrirão mão de sua posição na empresa e, pelo contrário, tendem a trabalhar com mais motivação, de modo a permanecer na empresa e contribuir para o seu crescimento. Isso também pode se refletir no aumento da produtividade.

Diante da importância da medicina ocupacional e dos benefícios trazidos por ela, é essencial entender a figura por trás disso tudo: o médico do trabalho.  

O médico do trabalho

Em um cenário de constante preocupação do chamado capital humano e da consequente manutenção da qualidade de vida dos trabalhadores, a área da medicina do trabalho tem sido cada vez mais procurada como oportunidade de crescimento profissional.

O papel do médico do trabalho ultrapassa as fronteiras do consultório e dialoga com a gestão corporativa, com a saúde pública e com direitos trabalhistas. Ele atuará fortemente na prevenção de doenças e acidentes de trabalho e na promoção de maior bem-estar e qualidade de vida para os funcionários.

Para além dos exames ocupacionais

Há quem ainda acredita que a importância do médico do trabalho limita-se à realização de exames de admissão e demissão de funcionários. A atuação do profissional vai muito mais além. Confira:

  • na rede pública, no desenvolvimento de ações para o trabalhador;
  • nas empresas, como médico do trabalho;
  • como avaliador das condições de Saúde e Segurança do Trabalho em órgãos como o Ministério do Trabalho;
  • como perito médico;
  • como assessor de sindicatos e organizações de trabalhadores;
  • como pesquisador da área;
  • como consultor privado;
  • como perito judicial em processos trabalhistas;
  • na formação e capacitação de profissionais.

A profissão deixou de ser apenas uma obrigação legal. Esse ramo é peça chave na garantia da qualidade de vida dos trabalhadores, no fortalecimento do capital humano da empresa e, consequentemente, no maior posicionamento da própria organização no mercado.

Assim, a medicina do trabalho é essencial para a integração das atividades profissionais e bem-estar do trabalhador. E uma vez que o médico do trabalho é um profissional de referência na interação empresa-empregado, sua formação também deve ser de ponta, tendo em vista a responsabilidade e impacto da profissão.

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