Conheça a endocrinologia, sua importância e as perceptivas da área

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por ISMD

Estamos acima do peso! A afirmativa é baseada nos dados do Ministério da Saúde. A cada 5 brasileiros, 1 sofre com a obesidade. Com isso, os números de quem pesa mais do que deveria subiram de 11,8% em 2006, para 18,9% em 2016. A condição preocupante, coloca o especialista em endocrinologia entre um dos mais importantes da atualidade.

Especializado em doenças que alteram o funcionamento do metabolismo e consequentemente o peso. Este é o endocrinologista, que atua quando há disfunção das glândulas endócrinas e dos hormônios.

É grande a lista de patologias que merecem os cuidados deste profissional. Desde doenças da tireoide, diabetes, distúrbios do crescimento e da puberdade até a menopausa e andropausa, entre muitas outras. 

Por outro lado, a grande procura pelo especialista é inversamente proporcional a quantidade de profissionais no mercado. Apesar do aumento da procura, de acordo com a Demografia Médica no Brasil, apenas 1,1% dos residentes optavam pela especialidade.

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A endocrinologia

A especialização existe a cerca de 200 anos. Os primeiros estudos envolvendo as glândulas e sua relação com o funcionamento do corpo datam do século XIX.

Somente depois desse período é que surgiram as descobertas relacionadas aos hormônios e a ação deles no organismo. De fato, isso foi um grande avanço para a medicina moderna.

Além disso, outra descoberta essencial para a área foi relacionada à função da hipófise. Ela mostrou que o nosso cérebro também era capaz de produzir hormônios. A partir da descoberta da cortisona pudemos entender melhor a ação do estresse no organismo. Aliás, foi nesse período que a especialidade ganhou relevância na cura e prevenção de doenças.

No Brasil, a endocrinologia passou a ganhar destaque a partir da década de 50, quando foi fundada a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – e em 1968 surgiu o título de especialista na área.

Hoje o endocrinologista é um profissional importante e valorizado nos cuidados da saúde. Afinal, é ele o trata as condições relacionadas ao metabolismo nas diversas as fases da vida, da infância à velhice.

Além dos hormônios, esse especialista lida com as transformações energéticas. Essa questão é natural em nosso organismo mas quando está desregulada pode resultar em obesidade, problema cada vez mais comum entre os brasileiros.

Sabemos que quando o nosso metabolismo e os nossos hormônios funcionam adequadamente, podemos ganhamos em bem-estar e qualidade de vida. Por isso, o endocrinologista tem um papel fundamental, educando os pacientes para uma vida longeva e mais saudável.

Principais doenças tratadas pelo endocrinologista

A lista de doenças tratadas pelo endocrinologista é longa. Isso porque várias glândulas atuam no nosso sistema endócrino, produzindo e liberando hormônios.

Porém, nem sempre existem sintomas específicos relacionados à glândula deficitária. Isso porque os hormônios viajam pela corrente sanguínea, exercendo seus efeitos em órgãos distantes. Assim, o excesso ou a deficiência de um hormônio pode causar sintomas secundários. É aí que entra o trabalho de análise do profissional.

Funcionamento do sistema endócrino

As principais glândulas envolvidas no sistema endócrino são:

  1. Hipotálamo: responsável pelos hormônios que controlam a hipófise. Juntas, essas duas estruturas “dizem” às outras glândulas quando é o momento certo de produzir hormônios. Eles, por sua vez, que regulam a temperatura corporal, o apetite, o humor, o desejo sexual, a sede etc.;
  2. Hipófise: é a “glândula mãe” do nosso organismo, já que é fundamental no funcionamento de várias outras glândulas. Ela se divide em: neurohipófise (responsável pela liberação da oxitocina e do hormônio antidiurético) e adenohipófise (produz os hormônios folículo-estimulante, luteinizante, tireoestimulante, adrenocorticotrófico e prolactina, além do hormônio do crescimento);
  3. Tireoide: funciona de acordo com os estímulos do hormônio tireoestimulante (TSH) secretado pela hipófise. Os principais hormônios produzidos por ela são a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3), responsáveis pela hipo e hipertireoidismo;
  4. Paratireoides: são 4 glândulas que secretam o hormônio PTH, responsável pelo equilíbrio das concentrações de cálcio e fósforo na corrente sanguínea;
  5. Pâncreas: produz o suco pancreático que participa da digestão dos alimentos e pela produção de glucagon e insulina. Estes, por sua vez, ajudam a manter equilibrado os níveis de açúcar no sangue. Quando esse sistema falha, temos a diabetes ou a hipoglicemia;
  6. Adrenais ou Suprarrenais: produzem e secretam gliocorticoides e mineralocorticoides, além dos esteroides sexuais. São os hormônios produzidos nessas glândulas que modulam nossas reações ao estresse e as
  7. Gônadas: produzem e secretam os hormônios sexuais, controlando o ciclo reprodutivo e determinando o aspecto físico típico das mulheres e dos homens, além do comportamento sexual.

Doenças

Quando algo de errado ocorre nesse sistema, surgem as doenças que são tratadas pelo endocrinologista, como:

  • hiper e hipotireoidismo;
  • diabetes tipo 1 e tipo 2;
  • nódulos na tireoide;
  • distúrbios menstruais e de fertilidade;
  • Síndrome dos Ovários Policísticos;
  • distúrbios do crescimento e da puberdade;
  • colesterol alto;
  • crescimento excessivo de pelos;
  • osteoporose;
  • menopausa e andropausa;
  • doenças da hipófise;
  • obesidade;
  • muitas outras.

Campo de atuação do endocrinologista

Além do atendimento em consultório, o endocrinologista poderá se especializar em outras subáreas e atuar em setores variados e bastante requisitados, como os que citamos logo abaixo.

Endocrinologia pediátrica

A endocrinologia pediátrica estuda e trata as disfunções hormonais que vão do período neonatal até o final da adolescência. Esse profissional é muito importante porque identifica condições, pode tratá-las e impedir que a criança desenvolva complicações na vida adulta.

Além disso, ele age na educação o paciente, desenvolvendo, uma rotina preventiva importante para a qualidade de vida dessa pessoa.

São muitas as condições clínicas que as crianças e os adolescentes podem apresentar, como: hipoglicemia, déficits de crescimento, diabetes mellitus tipo 1, atraso de desenvolvimento puberal, puberdade precoce, disfunções tireoidianas, diabetes tipo 2, obesidade infantil etc.

Endocrinologia feminina

A endocrinologia feminina investiga e trata problemas hormonais femininos. Condições como menstruação irregular, puberdade tardia ou precoce, genitália alterada ao nascimento, menopausa, osteoporose, síndrome dos ovários policísticos, síndrome pré-menstrual, infertilidade ou dificuldade para engravidar etc, são tratadas pelo especialista.

Independente da fase da vida da mulher, o profissional a ajudam na regulação dos hormônios de seu sistema reprodutor.

Andrologia

Esse especialista estuda as alterações da função reprodutora e sexual no homem, tratando diversas condições como: esterilidade, disfunções sexuais, varicocele, deficiência de testosterona, entre outras.

Neuroendocrinologia

Área que estuda e trata as doenças que afetam o hipotálamo e a hipófise. Vale ressaltar que as alterações hormonais podem afetar até mesmo a visão e causar dores de cabeça! Veja como os sintomas de problemas endócrinos não costumam ser tão intuitivos para o paciente.

Essas glândulas, por sua vez, são consideradas de extrema importância no nosso sistema endócrino e algumas das condições tratadas na Neuroendocrinologia, são: gigantismo, acromegalia, Síndrome de Cushing, tumores hipofisários e outras.

Perda de peso

A obesidade está relacionada a hábitos pessoais, problema, como desregulação hormonal ou metabolismo e, ainda, pode ser um resultado de tudo isso. Por isso, o endocrinologista também poderá se especializar nessa área, ajudando o paciente a se educar melhor e a ter mais qualidade de vida.

O especialista investiga o surgimento de doenças que causam a obesidade e que são causadas por ela, como a diabetes tipo 2. Dessa forma, o paciente é orientado a ter um estilo de vida melhor e, quando necessário, fazer o uso de medicamentos, reduzindo o seu peso .

Perspectivas para área e o futuro da endocrinologia

A endocrinologia vem crescendo em importância dentro da Medicina, seja no campo clínico ou de pesquisas.

Hoje a área permite ampla experimentação, especialmente graças aos avanços dos estudos moleculares e genéticos, que possibilitam aos médicos atuarem de maneira preventiva. Veja algumas inovações importantes no setor.

Estudo do DNA

Atualmente, a medicina cogita a possibilidade dos endocrinologistas estudarem o DNA de um indivíduo logo após o seu nascimento. Isso possibilita entender seu potencial no desenvolvimentos de determinadas doenças hormonais e metabólicas.

Assim, para prevenir essas condições, estão sendo desenvolvidas terapias, que visam a modificação do patrimônio genético, revertendo possíveis doenças futuras.

O diagnóstico molecular já é uma realidade em muitos casos. Existe um tipo de câncer de tireoide, por exemplo, que, em 25% dos casos, tem relação com a herança genética.

Logo após identificar um nódulo, os endocrinologistas conseguem fazer o diagnóstico genético e promover o rastreamento na família, auxiliando na cirurgia profilática e impedimento de expansão da doença.

Células-tronco

O tratamento com células-tronco tem sido empregado em vários ramos da Medicina, inclusive na endocrinologia. Assim, a ideia é fazer com que o próprio paciente consiga produzir novamente as células capazes de secretar determinado hormônio, revertendo a condição.

Tratamentos mais precisos

A indústria farmacêutica também tem evoluído muito em relação aos tratamentos das doenças hormonais. Uma das novidades é o uso de anticorpos monoclonais, chamadas de drogas-alvo, que tratam determinadas doenças de maneira mais específica.

Diante de todas essas inovações, o que se espera é o que o profissional endocrinologista se torne ainda mais importante na nossa sociedade, agindo não apenas no tratamento de doenças, mas também na prevenção delas e no auxílio aos pacientes para conquistarem uma melhor qualidade de vida.

E quem está pensando em se especializar na área, pode contar com todos os motivos já citados acima para investir no setor.

Se esse é o seu caso, além da residência médica (caminho mais tradicional, porém que nem sempre consegue abarcar todas as inovações da área), outra possibilidade é a pós-graduação médica, com aulas teóricas e práticas que vão lhe ajudar a se preparar para o mercado de trabalho e para entender todas essas inovações que o setor vem passando.

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