Cuidados e tratamentos para os pés de pacientes com diabetes mellitus

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O Manual MSD (o que significa MSD) caracteriza a Diabetes Melito (DM), ou ainda diabetes mellitus, como a “alteração da secreção de insulina e graus variáveis de resistência periférica à insulina, causando hiperglicemia”.

O manual ainda destaca algumas possíveis complicações da doença, como a doença vascular, neuropatias e a predisposição a infecções. Uma complicação possível também é o famoso pé diabético, para o qual pretendemos citar cuidados e tratamentos.

Pé diabético: por trás dessa complicação da diabetes mellitus

A Sociedade Brasileira de Diabetes estima que atualmente há mais de 13 milhões de pessoas vivendo com diabetes no Brasil, o que representa 6,9% da população.

Esses números seguem alarmantes: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 70% das amputações realizadas no Brasil são decorrentes do diabetes mellitus, o que representa aproximadamente 55 mil procedimentos por ano.

Mas o que caracteriza o pé de diabético, afinal?

O pé diabético é definido como uma infecção, ulceração e/ou destruição de tecidos moles associadas a alterações neurológicas e vários graus de doença arterial periférica (DAP) nos membros inferiores, de acordo com o Grupo de Trabalho Internacional sobre Pé Diabético (International Working Group on the Diabetic Food, IWGDF).

O grupo considera essa complicação da diabetes uma das mais preocupantes, tendo em vista o elevado impacto negativo na qualidade de vida do doente e sua família. Além do custo alto do tratamento, o risco de amputação é grande e, portanto, vamos analisar as possíveis complicações da doença, para melhor preveni-la.

Quais são as complicações possíveis em pés de diabéticos?

As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) trazem a Doença Arterial Periférica (DAP) como fator complicador mais frequente do pé diabético em países desenvolvidos.

Enquanto isso, nos países em desenvolvimento, a diabetes mellitus tende a evoluir para úlceras e infecções, resultando em amputações. Uma das razões apontadas para as diferentes complicações da doença são as “diferenças socioeconômicas, tipos de calçados usados e falta de padronização dos cuidados em escala nacional”.

Essas complicações podem até resultar em morte. O documento da SBD traz uma estimativa brasileira para um modelo hipotético: para uma população de 7,12 milhões de indivíduos com diabetes mellitus tipo 2 (DM2), são estimadas: 484.500 úlceras, 169.600 admissões hospitalares e 80.900 amputações, em que 21.700 resultam em morte. Com números tão alarmantes, é necessário entender os sintomas da doença.

Sintomas do pé diabético

Para o paciente que sofre com a diabetes mellitus, qualquer anormalidade percebida no pé pode ser um sintoma de um pé diabético. Alterações de temperatura, cor, sensações, deformidade dos ossos ou tecidos, inflamações ou infecções são algumas delas.

Entre os sintomas mais frequentes, estão o formigamento e a sensação de queimação. Também são comuns manifestações dermatológicas, como pele seca, rachaduras, unhas encravadas, maceração interdigital e micose, calosidades, ausência de pelos e alteração de coloração e temperatura, como aponta a SBD.

Exame clínico e diagnóstico

No consultório, o exame começa de maneira bem simples: o médico deve avaliar o histórico clínico e fazer o exame dos pés. Também é importante avaliar os calçados e as meias.

No caso de úlceras neuropáticas, as características clínicas envolvem calosidades presentes, úlceras frequentemente plantares, pele seca, rachaduras, fissuras, veias dorsais dilatadas, hiperemia, pé quente, sensibilidade alterada, reflexos diminuídos ou até mesmo ausentes, pulsos presentes e amplos.

Nas isquêmicas, é comum observar a pele cianótica, unhas atrofiadas e micóticas, margens irregulares, necrose seca, presença em dedos ou aspectos laterais, calos ausentes ou infrequentes, palidez à elevação, veias colabadas, pulsos diminuídos ou ausentes, sensibilidade preservada.

Fatores que facilitam complicações nos pés

Entre os fatores de risco para a ulceração dos pés, os principais são a polineuropatia diabética (PND), deformidades, traumas (calçado inadequado, caminhar descalço, quedas, acidentes, objetos no interior dos calçados), doença arterial periférica (DAP), histórico de úlcera e amputação.

Outros fatores de risco são a doença renal do diabetes e retinopatia, além da condição socioeconômica do indivíduo.

Dados os sintomas e características clínicas, é importante que o médico também esteja preparado para atuar na prevenção do pé diabético e dar a devida atenção ao paciente.

Prevenção e atenção no consultório

Além de suas habilidades diagnósticas, é essencial que o médico tenha certas atitudes em relação ao paciente com diabetes mellitus. A Biblioteca Virtual em Saúde traz algumas atribuições específicas para os profissionais da saúde:

  • anotar o diagnóstico de diabetes de cada membro da família na ficha de acompanhamento do paciente;

  • orientar o paciente quanto à importância de sua participação ativa no tratamento: a relação médico-paciente deve ser de colaboração, tendo em vista o cumprimento das orientações referentes a atividades físicas, alimentação, uso de medicamentos, por exemplo;

  • estimular a participação do paciente em grupos que apoiam essa jornada, como grupos de caminhada, de receitas, de compartilhamento de experiências;

  • monitorar as variações dos índices de açúcar no sangue;

  • incentivar o comparecimento às consultas médicas para o devido acompanhamento.

Ainda, é dever do médico discutir o quão importante é o cuidado com os pés na prevenção de úlcera e amputação.

Tratamento, prognóstico e amputação

A amputação surge de uma possível complicação da doença e cabe ao profissional de saúde definir a classificação de risco individual para cada avaliação. Os achados clínicos é que definirão o cuidado necessário para cada situação.

Entre os cuidados práticos, o médico pode oferecer orientações sobre calçados apropriados, estimular o autocuidado, além de considerar correção cirúrgica e encaminhar ao cirurgião vascular.

De modo geral, o especialista deve “focar sua atenção nas alterações do pé diabético e nos fatores de risco que podem ser modificados, de forma a evitar as ulcerações, infecções e as consequentes amputações”, de acordo com o Manual do Pé Diabético.

Tendo em vista a seriedade para a qual o quadro da diabetes mellitus pode evoluir, e considerando que cada caso tem sua especificidade, é fundamental que o médico se atualize constantemente. Assim, ele terá cada vez mais condições de pensar e sugerir as melhores alternativas para os pacientes que atende.

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