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A citologia ginecológica e sua importância na saúde da mulher

8 minutos de leitura
ISMD
por Marketing ISMD

Exame citológico, colpocitológico, citologia oncótica ou ginecológica. De fato, são vários os nomes para um exame preventivo que está por trás da saúde da mulher.

A saúde feminina ainda é um tabu, especialmente no que tange ao aparelho reprodutor feminino. Mas não há nada de misterioso nele, afinal é constituído por dois ovários, duas tubas uterinas – as famosas trompas de Falópio -, pelo útero, pela vagina e pela vulva.

Porém, o sistema reprodutor feminino exige cuidados, muitos dos quais a citologia ginecológica é encarregada.

A citologia ginecológica no contexto brasileiro

O Ministério da Saúde, juntamente com o Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, é responsável pelo Protocolo da Atenção Básica da Saúde da Mulher. Os órgãos estimam que de 12% a 20% das brasileiras, entre 25 e 64 anos, nunca realizaram o exame. Vale notar, por outro lado, que o exame é oferecido gratuitamente pelo SUS.

De fato, a preocupação é relevante pois o exame é a principal meio de rastreamento do câncer de colo do útero e de suas lesões precursoras. O estudo recomenda que o acompanhamento deve ser realizado, a partir de 25 anos, em todas as mulheres que iniciaram a atividade sexual.

Além disso, as estatísticas de mulheres que nunca realizaram o papanicolau apontam outras questões. Por exemplo, as “dificuldades de acesso e acolhimento enfrentados pelas mulheres, seja pela rigidez na agenda das equipes, que nem sempre está aberta à disponibilidade da mulher ou ainda por não acolher singularidades”.

Entre as “singularidades”, são apontados segmentos populacionais específicos, como “mulheres com deficiência, lésbicas, bissexuais, transexuais, negras, indígenas, ciganas, mulheres do campo, em situação de rua, profissionais do sexo e mulheres privadas de liberdade”.

Dessa forma, diante do cenário, podemos perceber o tabu e o tamanho do preconceito por trás da saúde ginecológica. Aliás, esse é um problema a ser superado e o primeiro passo é esclarecer diversas questões.

Portanto, vamos detalhar como é feito, quais são os processos de análise e sua importância na saúde da mulher.

O exame citológico

A população em geral está mais familiarizada com os termos como papanicolau ou até mesmo “exame preventivo do colo do útero”. Mas afinal, que exame é esse?

O Ministério da Saúde o define como um “teste realizado para detectar alterações nas células do colo do útero”. Da mesma forma, o exame é chamado de esfregaço cervicovaginal e colpocitologia oncótica cervical.

O exame é indolor, simples e rápido. Porém, é possível que cause um pequeno desconforto, contornável se a mulher conseguir relaxar e se for feito com cuidado.

Como é feito o exame?

Uma vez que o objetivo é a coleta de material, é introduzido o espéculo – mais conhecido como “bico de pato” – na vagina. Ele, por sua vez, permite a visualização do interior da vagina e do colo do útero.

Uma vez introduzido, o médico realizará a inspeção visual local. Em seguida, ele provocará uma pequena escamação das paredes do colo uterino, com o auxílio de uma espátula de madeira e uma escovinha.

Feito isso, as células resultantes desse processo são colocadas em uma lâmina para serem analisadas por laboratório especializado em citopatologia.

Recomendações para o exame

O ideal é que o exame seja realizado pelo menos cinco dias após o término da menstruação.

Por outro lado, caso apenas seja possível realizar durante o período menstrual, o protocolo traz a possibilidade de adicionar gotas de ácido acético a 2% à solução fixadora, no intuito de melhorar a qualidade da amostra. Ainda assim, a presença de sangue pode alterar o resultado.

Outras recomendações e indicações são:

  • não ter relações sexuais, mesmo com camisinha, nos dois dias anteriores ao exame;

  • evitar o uso de duchas, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores à realização do exame;

  • não realizar exame ginecológico com toque, ultrassonografia transvaginal e/ou ressonância magnética da pelve;

  • sobre mulheres grávidas, de acordo com o Protocolo do Ministério da Saúde: “há recomendações conflitantes quanto à coleta de material endocervical em grávidas. Apesar de não haver evidências de que a coleta de espécime endocervical aumente o risco sobre a gestação quando utilizada uma técnica adequada, outras fontes recomendam evitá-la devido ao risco em potencial”.

  • mulheres virgens também podem se submeter ao exame, caso em que a coleta do material será feita por meio da utilização de espéculo próprio para esse tipo de caso.

  • para mulheres com mais de 64 anos de idade e que nunca realizaram o exame citopatológico, é necessário realizar dois exames com intervalo de 1-3 anos. Se os dois exames forem negativos, exames adicionais podem ser dispensados.

Realizei o exame citológico, e agora?

Uma vez realizado o exame é importante partir para a análise do material. Primeiramente, ele será classificado como:

  • amostra insatisfatória para avaliação: aquela cuja interpretação está prejudicada por natureza técnica ou devido à presença de sangue, artefatos de dessecamento, contaminantes externos, entre outros;

  • amostra satisfatória para avaliação: aquela com células em quantidade representativa, que permitem conclusão diagnóstica. É normal a presença de células do epitélio do útero.

Sendo a amostra satisfatória, o exame pode apresentar os seguintes resultados:

  • esfregaços normais somente com células escamosas: 1) dentro dos limites da normalidade no material analisado; 2) metaplasia escamosa imatura; 3) reparação;

  • inflamação sem identificação do agente (alterações celulares benignas reativas ou reparativas);

  • achados microbiológicos: 1) Lactobacillus sp.; 2) Cocos; 3) Bacilos supracitoplasmáticos (sugestivos de Gardnerella/ Mobiluncus); 4) Candida sp.; 5) Chlamydia sp.; 6) efeito citopático compatível com vírus do grupo herpes; 7) Trichomonas vaginalis; 8) Actinomyces sp.;

  • citologia com células endometriais normais fora do período menstrual ou após a menopausa;

  • atipias de significado indeterminado;

  • lesão intraepitelial de baixo grau;

  • lesão intraepitelial de alto grau;

  • adenocarcinoma in situ ou invasor.

Dessa forma, a adequada interpretação do exame, com diagnósticos e tratamentos, é realizada por especialista.

O exame pode falhar?

Apesar de apresentar resultados como os que trouxemos, os “estudos mostram que cerca de 50% das pessoas infectadas podem ter falha na detecção do vírus HPV por meio do teste do Papanicolau”, como afirma o médico Achilles Cruz.

Essa afirmação também é importante para responder outra dúvida acerca do exame preventivo, como veremos a seguir.

A citologia oncótica detecta DSTs?

Há algumas curiosidades interessantes sobre o exame citológico e uma delas diz respeito à detecção de DSTs.

Nem mesmo o vírus HPV é confirmado com o Papanicolau. Apesar de algumas doenças serem captadas, em geral as DSTs geralmente são investigadas de outras maneiras.

O grande objetivo do exame em si é verificar a presença de lesões pré-cancerosas, ou seja, que vão gerar um tumor se não forem removidas à tempo. Essa preocupação reforça ainda mais a importância da citologia ginecológica na saúde da mulher: como fator de prevenção do câncer de colo de útero.

O exame e a prevenção do câncer de colo de útero

O Instituto Nacional de Câncer (INCA), ligado ao Ministério da Saúde, caracteriza o câncer de colo de útero como a replicação desordenada do epitélio de revestimento do órgão.

O Instituto ainda traz dados como o posicionamento do câncer como o quarto tipo mais comum entre as mulheres, com aproximadamente 530 mil casos novos por ano no mundo. Desse total, 265 mil resultam em óbito. Trazendo para o nosso contexto brasileiro, são esperados 16.370 casos novos.

Superando o tabu em prol da saúde da mulher

Esses números elevados são resultados de uma cultura em que tratar da saúde da mulher, em especial de seu aparelho reprodutor, é um tabu que precisa ser quebrado.

Deixar de falar no assunto ou afastar a mulher do consultório por vergonha, julgamento social ou desconhecimento é tirar dela o direito de cuidar de sua saúde e do seu bem-estar.

Como vimos, o exame citológico está intimamente ligado com as estatísticas relacionadas ao câncer de colo de útero. As mortes podem ser evitadas, caso o exame seja realizado periodicamente e pelo público indicado.

Como falamos no início do texto, de 12 a 20% das mulheres nunca realizaram o exame do Papanicolau, mesmo sendo oferecido gratuitamente pela rede pública.

É nossa missão estimular um acompanhamento ginecológico cada vez maior, especialmente a citologia ginecológica, e garantir a presença de profissionais qualificados para darem suporte a esse processo.

Pensando nisso, não deixe de conhecer o curso de Citologia da Faculdade ISMD, referência em saúde e ensino.

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