A Dermatite Atópica (DA) e o Tabagismo.

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Um estudo publicado na edição de dezembro/16 do JAAD (Journal of the American Academy of Dermatology) abordou a correlação da Dermatite Atópica (DA) com o tabagismo.
 
A Dermatite atópica é uma doença de pele inflamatória crônica de causas multifatoriais tais como predisposição genética, alterações imunológicas e fatores externos.
A fumaça do cigarro, por sua vez, possui um grande número de efeitos deletérios no sistema imune, por exemplo na imunidade humoral e celular. O suposto efeito direto da fumaça do cigarro na pele ainda não está muito claro, porém essa fumaça pode danificar diretamente a função de barreira da pele por meio da oxidação dos queratinócitos.
 
Após avaliação de mais de 5 mil estudos concluiu-se que o tabagismo ativo e passivo dentro de casa está associado com uma alta prevalência da Dermatite Atópica tanto em crianças como em adultos. Em contraste, o tabagismo materno durante a gestação, no geral, não estava associado à prevalência da Dermatite Atópica. A DA mostrou-se presente em indivíduos com hábitos tabagistas moderados e exacerbados, contudo não há uma “dose” de tabagismo específica para desencadear a DA. Os efeitos negativos da DA em um indivíduo podem acarretar em um aumento das taxas de tabagismo. A falta de associação entre DA e o tabagismo passivo ou materno durante a gestação nos estudos de corte sugerem que apenas a exposição à fumaça não desencadeia a DA. Fatores como raça/etnia, educação e nível socioeconômico mostraram diferentes associações com o tabagismo passivo e o materno durante a gestação. Algumas dessas diferenças podem estar relacionadas com políticas de saúde pública ou diferenças culturais. Os resultados dessa meta-análise sugerem que pacientes pediátricos e adultos com DA apresentam taxas elevadas de exposição ao tabagismo passivo e ativo, o que pode aumentar o risco para malignidades e doenças cardiovasculares.
 
Estudos prévios mostram que uma infância conturbada leva a comportamentos que impactam de forma negativa a saúde dos indivíduos na vida adulta e pode ocasionar altas taxas de tabagismo. Um estudo mostrou que adultos com DA iniciaram o tabagimso ainda muito jovens quando comparados com aqueles sem DA. Outro estudo mostrou que a exposição passiva ao tabagismo está mais associada a fortes efeitos em adultos do que em crianças, talvez devido a uma resposta atrasada na manifestação da doença com uma reação de efeito cumulativo da exposição à fumaça. Uma vez que o tabagismo está associado a uma maior prevalência da DA, é bem possível que ele também esteja associado a uma forma mais severa da DA.
 
Por
Dra. Patrícia Lycarião
Preceptora da Pós-graduação do ISMD de Belo Horizonte
CRM: 53350

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