A dermatite atópica (DA) e o tabagismo.

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por ISMD

Segundo a Organização Mundial de Saúde, ainda somos um país com forte traço de tabagismo. O Brasil ocupa o 8º lugar do ranking mundial, com 11 milhões de homens e 7 milhões de mulheres fumantes. Além dos riscos do cigarro, estas pessoas ainda podem encarar outro problema: a dermatite atópica!

Estudos têm associado a incidência da condição ao tabagismo. No Brasil já são cerca de dois milhões de casos da doença, por ano, segundo o Hospital Israelita Albert Einstein. A dermatite atópica é uma inflamação crônica na pele, também é conhecida como eczema atópico

Além disso, vale apontar alguns dados publicados pelo Journal of the American Academy of Dermatology (JADD) sobre essa relação. Após a avaliação de mais de 5 mil estudos, verificou-se que tanto o tabagismo ativo quanto o passivo influenciam na manifestação da doença. 

Nesse sentido, outra descoberta é que a dermatite atópica mostrou-se presente em indivíduos com hábitos tabagistas moderados e exacerbados. Ainda assim, não é possível falar em dose específica para desencadear a doença.

Dermatite atópica: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), dermatite atópica é uma “doença genética, crônica e que apresenta pele seca, crostas e erupções que coçam”. A SBD estima que esse problema crônico atinja 7% da população adulta e 25% das crianças do nosso País

Sintomas 

A irritação na pele é o principal sintoma e ela pode ocorrer em qualquer lugar do corpo. Mas, o mais comum, é que apareça na região dos braços e atrás dos joelhos. 

Além disso, outras queixas comuns são a coceira ou rubor, presença de erupções, fissuras, inchaço e secura da pele. A coceira em excesso pode levar a lesões avermelhadas, que funcionam como porta de entrada para bactérias. 

Diagnóstico

O diagnóstico da dermatite atópica pode ser feito pela própria pessoa. Por outro lado, no consultório, o especialista avaliará as condições da pele e o histórico familiar. O relato de coceira é um dos pontos centrais da avaliação. E vale mencionar que piora com a transpiração e com o frio.

Tratamentos indicados

Existem alguns cuidados diários que podem ajudar a evitar as crises de dermatite atópica. Em relação aos tratamentos indicados, recentemente chegou ao Brasil o primeiro anticorpo monoclonal, o dupilumabe, indicado para os casos mais graves da doença.

Porém, na maioria dos casos, o foco do tratamento em si é o controle da coceira. O médico tem como objetivo reduzir a inflamação da pele, tratar as lesões e evitar que elas piorem ou evoluam para condições mais severas.

Como a pele fica bem seca, grande parte do tratamento é com o uso de emolientes – ou hidratantes – e de orientações que revertam esse quadro. Por exemplo, é interessante evitar banhos quentes e o contato da pele com alérgenos ambientais.

Da mesma forma, poeira, produtos de limpeza, pólen, cosméticos e o tabaco são alguns exemplos de coisas a evitar.

Tabagismo: o grande vilão

De acordo com o INCA, o tabagismo é uma “doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco”. No Brasil, o maior uso de tabaco se dá pelo fumo.

Todo ano, o tabagismo causa mais de 7 milhões de mortes. O INCA ainda aponta que o tabagismo é considerado uma doença pediátrica. Afinal, pois “80% dos fumantes tem contato com o cigarro antes dos 18 anos”. Apesar de proibido, o acesso dos adolescentes aos cigarros é comum.

Outra estatística que assusta são as 428 mortes diárias devido à dependência em nicotina. Isso fora os mais de R$ 56 bilhões perdidos com despesas médicas. 

O risco para a saúde é real

O INCA afirma que, das 156.216 mortes anuais causadas pelo tabaco:

  • 34.999 correspondem a doenças cardíacas;
  • 31.120 a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
  • 26.651 por outros cânceres;
  • 23.762 por câncer de pulmão;
  • 17.972 por tabagismo passivo;
  • 10.900 por pneumonia;
  • 10.812 por acidente vascular cerebral (AVC).

Apesar do elevado número de mortes pelo cigarro, nem todos os malefícios causados por ele têm esse fim. Voltando à relação com a dermatite tópica, falaremos um pouco mais do impacto do tabaco na manifestação da doença e dos estudos existentes na área.

Dermatite atópica e tabagismo: como se relacionam

Antes de falar da relação entre eczema e tabaco, é bom entender os prejuízos que o cigarro traz para o maior órgão do corpo humano: a pele.

Por que o cigarro faz tão mal à pele

Quando pensamos em tabagismo e saúde da pele, geralmente tendemos a pensar no aspecto estético dessa influência.

Uma pele enrugada, sem vida e envelhecida precocemente logo nos vem à cabeça e estas são queixas recorrentes no consultório dermatológico. No entanto, o prejuízo vai muito além dessa camada superficial.

Portanto, devido à presença de nicotina, o cigarro dificulta a produção natural de colágeno e elastina. A resina e o alcatrão presentes no cigarro também dilatam os poros e, por isso, é tão comum notar efeitos na aparência. 

Eis uma curiosidade assustadora: nos cigarros estão presentes mais de 4.720 substâncias tóxicas, sendo 70 delas cancerígenas. 

O que as pesquisas apontam

Diversos estudos vem buscando entender uma relação estreita entre dermatite atópica e cigarro. Uma delas foi a revisão sistemática assinada por Kantor, Kim, Thyssen e Silverberg. Esse foi o estudo relatado no início da leitura, tendo envolvido mais de 5 mil pessoas. 

Além das conclusões já citadas, os autores também concluíram que:

  • o tabagismo durante a gestação, no geral, não estava associado à prevalência da dermatite atópica;
  • fatores como raça/etnia, educação e nível socioeconômico mostraram diferentes associações com o tabagismo passivo e o materno durante a gestação;
  • políticas de saúde pública ou diferenças culturais podem estar relacionadas ao aspecto acima;
  • pacientes adultos ou pediátricos com DA apresentam taxas elevadas de exposição ao tabagismo passivo e ativo, o que pode aumentar o risco de malignidades e doenças cardiovasculares.

Além disso, outro estudo assinado por Kramer, Lemmen, Behrendt, Link, Schafer, Gostomzyk, Scherer e Ring também chegou a conclusões de que o tabaco é prejudicial para o público infantil. Nesse caso, eles analisaram mais de 1600 crianças. A conclusão foi que os pequenos têm um risco maior de desenvolver eczema atópico quando expostos ao tabaco existente no ambiente — ou seja, ao tabagismo passivo. 

Magnusson, Olesen, Wennborg e Olsen também decidiram investigar a relação. O estudo também tinha como objetivo estudar os prejuízos do tabaco tendo em vista outras doenças. O foco foi o fumo durante a gestação e os impactos na vida da criança por volta dos 14, 15 anos. 

No caso da dermatite atópica, o fumo na fase final da gravidez não teve tanto peso quando comparado com o grupo controle de não exposição ao tabaco.

O melhor a fazer é parar de fumar

Trouxemos algumas das pesquisas existentes na área e estas são somente aquelas relacionadas à dermatite atópica e tabagismo. Vimos que os efeitos prejudiciais do cigarro são inúmeros. Fumar é um vício, mas é possível superá-lo.

Embora o tabagismo passivo também contribua para a evolução de algumas doenças, reduzir o consumo ativo está mais sob o controle do paciente. O papel do médico nesse processo é o de orientar sobre os perigos do tabaco e a relação direta que ele tem com a manifestação de algumas doenças, como é o caso da dermatite atópica.

A função do especialista

No consultório, o profissional deve estar atento para diagnosticar a doença corretamente: a irritação no local deve ser identificada e investigada se é acompanhada de coceira. A partir disso, o médico dermatologista orientará para o melhor tratamento, sempre respeitando cada caso. 

Os cuidados com a pele são essenciais para a saúde e a dermatite atópica é apenas um dos muitos problemas dermatológicos. Nesse sentido, você sabe quando devemos fazer a retirada de pinta? Confira nossa matéria e entenda melhor o assunto.

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